28/4/08
A erva daninha do planeta azul
Esta semana, eu assisti um programa sobre o “desplanejamento” das grandes cidades, aquilo não é planejamento! O desmatamento e a posse de áreas federais e de como surgiram as favelas com a extinção dos cortiços do centro da cidade. O programa também falava da remoção de três grandes favelas do Rio de Janeiro, para dar lugar a construção da Uerj, por exemplo. Enfim, como colocaram parece que tem solução simples, que basta investir uma grande soma de capital público ou privado que o problema vai acabar. Para mim nada disso funciona. Claro que é importante planejar, claro que é importante amenizar tais problemas, mas não é tão simples assim. Não bastam engenheiros pensando em como deixar a cidade mais bonita. Tem que envolver toda a cidade, toda a população do estado, do país e temos que ter consciência de todos os problemas que o planeta enfrenta.
Volto a bater na mesma tecla, enquanto não se planejar a família, o número de filhos, nenhum problema vai ser resolvido. Hoje, removem-se uma favela, criam-se moradias para estas famílias, mas dentro de uma ou duas décadas os problemas estarão novamente saltando aos olhos, talvez até em proporções maiores. Temos que encarar a nossa população como uma população qualquer de animais dentro de seu ecossistema. Num rio se há um grande aumento da população de piranhas, por exemplo, todos os outros peixes correm risco de extinção, porque o aumento exagerado desequilibra todo o resto. Então está mais que na hora de pensarmos que nossa população está em exagerado desequilíbrio com todo o nosso planeta. Somos atualmente a erva daninha da terra.
Nossa gigantesca população está invadindo todos os habitats, está depredando a moradia de todos os nossos ancestrais. Parece que temos em mente que o universo é grande o suficiente para nós e que podemos ir ocupando…
Na época das grandes navegações Portugal descobriu nova terra ao atravessar o oceâno até então desconhecido. Hoje não tem mais oceâno para atravessar e encontrar novas terras. Também não existe outro planeta próximo que tenha as mesmas condições do nosso. A Lua não tem nenhuma condição de desenvolvimento de vida humana. O que fazer? Invadir Marte e criar estufas humanas? A solução do futuro será vivermos em laboratórios criados com temperatura e ar artificial? Iremos comer comprimidos? Perderemos o prazer de saborear uma boa picanha na brasa? Ou mesmo um aipim cozido com manteiga fresca? Trocaremos o camarão por formigas geneticamente transformadas? Enfim, dúvidas, incertezas e divagações…
criado por urha
2:43 — Arquivado em: 

Que estranheza, ao mesmo tempo que o homem devasta em nome das “necessidades” indispensáveis, o nosso mundo esta à cada dia menos capaz de fornecer estas necessidades. Me lembrei da carta de Caminha ao Rei de Portugal: “Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. ” os Ãndios estavam com suas vergonhas à mostra quando fomos descobertos, e hoje que estamos despidos de todas as nossas maravilhas… Paradoxal? Não, pura usura. Abraço
Comentário por Alexandre Picarelli — 18 de maio de 2008 @ 13:48
Fantástico!!!
É tudo o que penso e sempre comento. Você conseguiu expressar de forma objetiva todo o processo que a humanidade atravessa.
Parabéns!
Beijos, Lou
Comentário por Lou de Olivier — 25 de maio de 2008 @ 22:34
Uhracy,
você é um pintor em letras - você descreve bem o nosso planeta no estado em que está e no que poderá vir a ser.
Sua poesia são os animais e as plantas - as flores, como a orquidea.
Comentário por clarisse de oliveira — 15 de julho de 2008 @ 19:27
Achei o texto brilhante… mas terminei com uma dúvida! Quando diz que o problema a ser atacado para resolver as questões cruciais é a FAMILIA, perguntou eu, de que MODELO de FamÃlia tem em mente? Acho muito perigosa esta categoria, embora importante. A minha dúvida simples é pensar: aplicar polÃticas de controle familiar em um mundo de relações sociais pautadas em orientações identitárias de comportamento? como fazer isso
Comentário por Eduardo — 20 de agosto de 2008 @ 14:51